Brasil
This article seeks to achieve two goals. First, to present a panoramic analysis of the three main contemporary conceptions about the demarcation problem. Traditionally, the demarcation problem has intended to conceptually delimit the boundaries between “science”, “non-science” and/or “pseudoscience” via criteria and definitions of science or scientificity. This issue – mainly in the 20th century, but not only – was present as one of the great intellectual challenges of the philosophy of science and in related areas. Indeed, our analysis has produced a division that selects three main phases, namely, optimistic perspectives, pessimistic perspectives, and, so to speak, hybrid perspectives. In light of this context, and in order to support the general architecture of the article, two authors from each phase were chosen for a schematic analysis. Second, this article seeks, in the end, to argue that the problem of demarcation is better understood and answered if characterized as more than an exclusively methodological and epistemological problem, that is, in this sense it would also be a value-added problem with political, social and therefore, practical. We termed it the dual dimension of the demarcation problem. Furthermore, we highlight that our emphasis on this interpretation is essentially in accordance with the defense made by the third approach analyzed in this paper. In the end, we defend that the third conception outlined here is a comparatively better alternative than the others.
Este artigo busca alcançar dois objetivos. Primeiro, apresentar uma análise panorâmica das três principais concepções contemporâneas sobre o problema da demarcação. Tradicionalmente, o problema da demarcação pretendeu delimitar conceitualmente as fronteiras entre “ciência”, “não-ciência” e/ou “pseudociência” via critérios e definições de ciência ou de cientificidade. Tal problemática – principalmente no século XX, mas não só – fez-se presente como um dos grandes desafios intelectuais da filosofia da ciência e em áreas afins. Com efeito, nossa análise produziu uma divisão que recorta três fases principais, a saber, perspectivas otimistas, pessimistas e, por assim dizer, perspectivas híbridas. À luz desse contexto, e a fim de apoiar a arquitetura geral do artigo, selecionamos dois autores de cada uma dessas fases para uma análise esquemática. Segundo, buscamos, ao final, argumentar que o problema da demarcação é melhor compreendido e respondido se caracterizado como mais do que um problema exclusivamente metodológico e epistemológico, isto é, nessa acepção ele seria também um problema valorativo com contornos políticos, sociais e, portanto, prático. Chamamos isso de: dimensão dual do problema da demarcação. Ademais, destacamos que nossa ênfase nesta interpretação está de acordo, essencialmente, ao que defende a terceira abordagem analisada neste trabalho. Ao final, defendemos que a terceira concepção aqui esboçada é uma alternativa comparativamente melhor do que as demais.
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