Discutiremos neste artigo acerca dos deslocamentos da voz poética na poesia de Marília Garcia, a partir de uma leitura crítica e analítica dos poemas “pelos grandes bulevares” e “noite americana”, ambos do livro Câmera lenta (2017). Descentralizados de um eu, seus textos são compostos a partir dos acidentes, dos (des)encontros que acontecem e são provocados no (e pelo) espaço urbano. Desse modo, queremos compreender de que forma os aspectos que compõe esse espaço contribuem para a produção de singularidades e dos movimentos para fora do eu em sua poesia, considerando que esta realiza-se em diálogo com a vida urbana, com a observação vagarosa das situações que fazem parte desse meio. Em vista disso, apontamos alguns conceitos teóricos que embasam este estudo, a saber: Magalhães (2017), sobre os deslocamentos do eu; Reis (2015), a respeito dos testes que Marília faz em sua poesia; Busato (2015), acerca da relação dos sujeitos com o espaço urbano; entre outros.
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