Santiago, Chile
Chile es uno de los países con mayores flujos migra-torios provenientes de América Latina y el Caribe. Este artículo explora la convivencia social en barrios residenciales en el contexto migratorio Sur-Sur, con el fin de examinar los múltiples factores que operan detrás del conflicto social emergente entre migrantes y chilenos. La creciente llegada de migrantes a Santiago ha reforzado el racismo y la racialización del espacio urbano a través de interacciones y prácticas sociales que tienen lugar en barrios residenciales. Basado en un proyecto de investigación más amplio, que consistió en una etnografía de 17 meses entre 2015 y 2018 en uno de los barrios más multiculturales de Santiago, este artículo contribuye a desentrañar los racismos contemporáneos y los procesos de racialización que emergen, considerando el rol que juegan las políticas habitacionales y el mercado de la vivienda en la con-vivencia intercultural y el conflicto social emergente. Sostengo que la precariedad habitacional en la que los(as) migrantes se ven forzados a vivir repercute en la reproducción del racismo y en la construcción de jerarquías raciales de pertenencia que desafían cotidianamente el “derecho a la ciudad” de los(as) migrantes, especialmente afrodescendientes, y profundizan su exclusión.
Chile is one of the countries with major destination flows from Latin America and the Caribbean. The aim of this arti-cle is to explore social coexistence in residential neighbour-hoods in the context of South-South migration, in order to examine the multiple factors at play behind the emerging social conflict between migrants and Chileans. The growing arrival of migrants to Santiago has reinforced racism and the racialization of the urban space through social interac-tions and practices that take place in residential neighbour-hoods. Drawing on a larger research project that consisted in a 17-month ethnography between 2015 and 2018 in one of the most multicultural neighbourhoods of Santiago, this article contributes to unravel racism and the emerging pro-cesses of racialization, considering the role that the politics of housing and the housing market play in the intercultur-al coexistence and the emergent conflict. I argue that the precarious housing conditions in which migrants are forced to live have an impact on the reproduction of racism and the construction of racial hierarchies of belonging that chal-lenge migrants’ “right to the city”, especially Afro-descen-dants, deepening their exclusion.
O Chile é um dos países com os maiores fluxos migrató-rios da América Latina e do Caribe. O objetivo deste artigo é explorar a coexistência social em bairros residenciais no contexto da migração Sul-Sul, a fim de examinar os múl-tiplos fatores que operam por trás do conflito social emer-gente entre migrantes e chilenos. A crescente chegada de migrantes a Santiago reforçou o racismo e a racialização do espaço urbano através de interações e práticas sociais que ocorrem em bairros residenciais. Baseado em um projeto de pesquisa mais amplo que consistiu principalmente em uma etnografia de 17 meses entre 2015 e 2018 em um dos bairros mais multiculturais de Santiago, este artigo contribui para desvendar o racismo contemporâneo e os processos de ra-cialização emergentes, considerando o papel que as políti-cas habitacionais e o mercado de habitação desempenham na coexistência intercultural e no conflito emergente. Man-tenho que a precariedade da moradia na qual os migrantes são forçados a viver tem repercussões na reprodução do racismo e na construção de hierarquias raciais de perten-cimento que diariamente desafiam o “direito à cidade” dos migrantes, especialmente os de ascendência africana, apro-fundando sua exclusão
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