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Sobre a recepção canibal de uma tragédia perdida

    1. [1] Universidade Federal do Rio de Janeiro

      Universidade Federal do Rio de Janeiro

      Brasil

  • Localización: Codex: Revista de Estudos Clássicos, ISSN-e 2176-1779, Vol. 8, Nº. 2, 2020, págs. 92-138
  • Idioma: portugués
  • Títulos paralelos:
    • Une reception cannibale d’une tragédie perdue
    • A cannibal reception of a lost tragedy
  • Enlaces
  • Resumen
    • English

      This article presents a few moments in the work of composition of the tragedy Pentheus. They are shown in three discursive stages: first a mixture of personal memories, then certain philological archaeology and finally the contemporary theatrical engagement with a anthropophagic bias. This tragedy was managed in collaboration with the student group 'Teatro das Ideias Vivas', from the Federal University of Rio de Janeiro. Pentheus is a reception of the homonymous tragedy of Aeschylus, a lost text. This reception was done according to the idea of temporality that describes Eshu, the orisha who kills the bird yesterday with the pebble he throws today. Only one verse remains from the old tragedy, quoted by Galen: μηδ' αἵματος πέμφιγα πρὸς πέδῳ βάλῃς [“Not a single drop of blood shall fall on the foot”]. We have analysed the literary genome of this drop and fed it with contemporary questions until the tragic drama emerges in a ritual that mixes elements from the language of Aeschylus and the syncretic rites of Rio de Janeiro culture. We used invaluable information written by Aristophanes of Byzantium, the Grammarian, in Bacchae’s hypothesis. He said that Euripides had copied for the composition of his last tragedy the plot of Pentheus, the drama written by Aeschylus in homage to the redemption by Dionysus. 

    • français

      Cet article présente quelques moments de la composition de la tragédie Penthée, en trois étapes discursives : d’abord un mélange d'expériences personnelles, puis une certaine archéologie philologique et finalement l’engagement théâtral contemporain à portée anthropophagique. Cette tragédie a été gérée en collaboration avec le groupe universitaire « Teatro das Ideias Vivas », de l’Université Fédérale de Rio de Janeiro. Penthée est une réception de la tragédie homonyme d'Eschyle, perdue. Cette réception se fait selon l’idée de temporalité qui décrit Eshu, l’orisha qui tue hier le gibier avec le caillou qu’il jette aujourd’hui. De l’ancienne tragédie, il ne reste qu’un vers, cité par Galène : μηδ' αἵματος πέμφιγα πρὸς πέδῳ βάλῃς [« Aucune goutte de sang ne tombe sur le pied »]. Nous avons analysé le génome littéraire de cette goutte et l'avons nourri de questions contemporaines jusqu'à ce que jaillisse un drame tragique dans un rituel qui mélange des éléments de la langue d’Eschyle et les rites syncrétiques de la culture de Rio de Janeiro. Nous avons utilisé une information précieuse, écrite par Aristophane de Byzance, le Grammairien, dans l'hypothèse des Bacchantes. Il a dit qu'Euripide avait copié pour la composition de sa dernière tragédie l'intrigue de Penthée, le drame écrit par Eschyle en hommage à la libération par Dionysos. 

    • português

      São apresentados, neste artigo, alguns momentos de como se deu o processo de composição da tragédia Penteu, em três recortes narrativos: misto de vivências pessoais, de uma certa arqueologia filológica e do engajamento no teatro contemporâneo de viés antropofágico. Esta tragédia foi gestada em colaboração com o grupo extensionista “Teatro das Ideias Vivas”, da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Penteu é uma recepção exuzíaca da tragédia homônima de Ésquilo, perdida. Desta tragédia, restou apenas um verso: μηδ' αἵματος πέμφιγα πρὸς πέδῳ βάλῃς [“Nenhuma gota de sangue caísse sobre o pé”], citado por Galeno. Analisamos o genoma literário desta gota e o alimentamos com questões contemporâneas até gerar um drama trágico em uma inquietante ritualística que mistura elementos da linguagem de Ésquilo e dos ritos sincréticos da cultura do Rio de Janeiro. Utilizamos uma informação preciosa, escrita por Aristófanes de Bizâncio, o gramático, na hipótese de As Bacantes. Ele disse que Eurípides copiou para a composição de sua última tragédia o enredo de Penteu, o drama escrito por Ésquilo em homenagem a Dioniso libertador.


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