This article describes the study and musealization of a late prehistoric walled enclosure located at the Portuguese Upper Douro: Castelo Velho de Freixo de Numão. From the excavation started in 1989, to the opening of the site in 2007, and the publishing of a global interpretative perspective in 2019, there have been thirty years of numerous archaeological actions. I aim to summarize those actions discussing their nature and diversity.
The main discover y in Castelo Velho was the identification of deposition contexts, assembling disparate materialities under different formal grammars. Such contexts date from the 3rd millennium, disappearing during the first half of the 2nd millennium BC. Deposition contexts, in association with other features, namely several narrow passages in the enclosure (probably used in successive opening and closing cycles) allowed interpreting the enclosure as a conditioned space hosting ceremonial practices during the 3rd millennium BC. Over this period, weren’t obser ved architectural and/or contextual discontinuities, suggesting that the site was occupied in the light of the same social dynamics.
The main architectural elements of the enclosure remained active until the middle of the 2ndmillennium BC. However, the traces of the occupations during this period are sparse and globally different from those of the 3rd millennium BC. Overall, the site was transformed into another place: an enclosed area, accessed only through a passage, connected to the Cogeces cultural world. The 2nd millennium BC enclosure was then a place with other social functions, whose cultural uniqueness still eludes us.
Within the several questions to be made in the investigation of Castelo Velho, it should be stand out this one: What may have been the cause(s) of the turning point that took place between the end of the 3rd and the beginning of the 2nd millennium BC? We shall also ask: Has this change occurred at a regional level, does it mirror a social transformation of the Chalcolithic communities in the Upper Douro region?
O presente texto descreve o trajecto de estudo e musealização dum recinto do 3.º milénio/ primeira metade do 2.º milénio AC, localizado no Alto Douro português: Castelo Velho de Freixo de Numão. Desde as primeiras inter venções arqueológicas em 1989, passando pela abertura do lugar ao público em 2007, até à global revisitação interpretativa do sítio em 2019, ocorreram trinta anos de inúmeras acções arqueológicas, cuja natureza e diversidade foram alvo de enunciação neste texto.
A principal descoberta em Castelo Velho diz respeito à identificação de deposições intencionais de materialidades, de múltipla natureza e formalização contextual, deposições essas datáveis do 3.º milénio AC, as quais desapareceram na primeira metade do 2.º milénio AC. Tais deposições, arti-culadas com outros contextos, nomeadamente diversas passagens estreitas no recinto, passíveis de abertura e fechamento cíclicos, conduziram à hipótese interpretativa do recinto ter funcionado, ao longo do 3.º milénio AC, como um espaço condicionado, albergando acções de carácter ceri-monial. Durante este amplo período não foram detectadas descontinuidades arquitectónicas e/ou contextuais, pelo que o recinto de Castelo Velho terá sido edificado nos inícios do 3.º milénio AC e ocupado, segundo o mesmo padrão, até finais do milénio.
Na passagem do 3.º para o 2.º milénio AC e até meados do 2.º milénio AC, embora a planta global do recinto tenha permanecido, os vestígios contextuais detectados eram esparsos, mas global-mente diferentes dos atribuídos, no local, ao 3.º milénio AC. De facto, tais vestígios apontaram para que o recinto do 2.º milénio AC se tenha transformado num outro lugar – um recinto fechado ao qual se acedia apenas através duma passagem – conectado, através da presença de vasos cerâmicos, com a ambiência cultural Cogeces. O recinto do 2.º milénio AC terá certamente cor-respondido a um lugar com outras funções sociais, cuja singularidade cultural ainda nos escapa.
Das muitas questões suscitadas pelo estudo de Castelo Velho ressalta uma: o que terá estado na origem da viragem operada no lugar entre finais do 3.º e inícios do 2.º milénio AC? Ao que, evi-dentemente, podemos acrescentar uma outra: tal viragem, para além da obser vada no lugar, terá ocorrido também a nível regional? Tal ruptura em Castelo Velho espelhará uma transformação de fundo, ao nível do Alto Douro, nas estruturas sociais de comunidades calcolíticas em trânsito para a Idade do Bronze?
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