Brasil
Este artigo tem por objetivo analisar – no contexto dos usos de testemunhos artefactuais e literários, resultados da difusão de saberes políticos e cúlticos – a iconização literária da princesa fenícia ’Îzebel, compilada na historiografia israelita. A agente cultural é a princesa fenícia e o nosso artefato são as camadas literárias de 2Reis 9, com datação entre os séculos VIII e IV A.E.C., ambientadas, inicialmente, nos contextos dos conflitos políticos no sul do Levante na segunda metade do século IX A.E.C. e, posteriormente, nos conflitos culturais do judaísmo antigo – um sinal indiciário da mudança de critério no julgamento de ’Îzebel. O julgamento, motivado pelo assassinato de um camponês, findou-se com uma condenação baseada na acusação de promover a patrono real o deus tutelar de Tiro (Șūr) Melqart. A nossa hipótese é que as interações culturais provocaram a reação de camponeses, cuja liderança apoiou a tomada de poder por parte do militar de origem rural Jehu. Contextualizaremos a narração historiográfica que compôs a imagem de ’Îzebel com as culturas iconográficas levantinas.
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