Brasil
A inscrição do Eu na obra de arte contemporânea é uma das ferramentas políticas mais proeminentes em nosso tempo. As marcas da subjetividade se assentam nos produtos estéticos, quebrando-lhes fronteiras de gênero, linguagem e discurso. Ao investigar as manifestações iniciais de tal vinculação autobiográfica e multimidiática da arte brasileira especialmente após o fim do tempo ditatorial, encontramos a produção de Leonilson. Esse artista imiscuiu formas e conteúdos baseando-os na escrita de seu Desejo. Ao construir telas com linguagem verbal tanto quanto com linguagem pictórica, Leonilson elabora a narração e a poesia com bordado, tinta e escultura, performatizando o que não se define plenamente. Apostando, portanto, no inespecífico (GARRAMUÑO, 2014) e expandindo a literatura (PATOS, 2012), o artista nos pergunta dos limites entre os campos artísticos, da relevância da hibridização na cultura e da potência da palavra que é também imagem.
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