Santo Ildefonso, Portugal
No De oratore (1.2.7-1.6.20) Cícero aponta as razões da escassez de oradores excelentes. Mudadas as circunstâncias, no Dialogus de oratoribus (1.1), Tácito procura as causas da decadência da oratória. Mas foi talvez Quintiliano quem estabeleceu as bases de uma nova argumentação: no De causis corruptae eloquentiae justificava-se a elaboração de uma obra crítica menos pelo estado incipiente das artes do que pelo estado decadente dos estudos. A partir do Renascimento a syncrisis torna-se ainda mais complexa. As querelas dos antigos e dos modernos, ou dos oradores e dos causídicos, são amplificadas por velhos tópicos, como o taceat superata uetustas ou a analogia entre a translatio imperii e atranslatio studii. Neste quadro convirá compreender a recepção do diálogo de Tácito na passagem do séc. XVI para ao séc. XVII, tempo em que as instituições escolares parecem reganhar certa estabilidade. O rastreio de temas e motivos taciteanos, presentes na cultura portuguesa, conclui-se com as críticas severas que ao ‘seiscentismo’, reino cadaveroso, reino da estupidez, dirigiram as ‘luzes’ do séc. XVIII (José Agostinho de Macedo) e do séc. XX (António Sérgio).
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