Neste artigo buscamos apresentar possibilidades de apropriação do debate ricoeuriano acerca da memória entre os historiadores. Nas primeiras páginas revisitamos o caminho percorrido por Paul Ricoeur em A memória, a história, o esquecimento, destacando os elementos da fenomenologia da memória em particular ligados à prática historiográfica. Na sequência apresentamos de que forma historiadores como François Hartog, François Dosse, Henry Rousso e Régine Robin se apropriaram da reflexão ricoeuriana acerca da memória em seus trabalhos. Neste percurso pudemos notar que a falsa impressão de esgotamento do debate sobre o tema da memória é deslocada em favor de uma renovação das questões, na medida em que a noção de trabalho de memória incide diretamente sobre a dimensão ético-política dos liames entre história e memória.
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