O presente trabalho tem como objetivo analisar de forma qualitativa as representações construídas em reportagens e crônicas de jornais sobre crianças em situação de rua da cidade de Caxias do Sul na década de 1970. Procura situar as diferentes formas de controle e os discursos de moralização construídos durante a ditadura civil-militar brasileira em torno das camadas sociais consideradas como potencialmente perigosas, vistas inclusive como um problema para a segurança nacional do país. Produtos de uma ordem social degradante, os “esmoleiros mirins” e pequenos mendigos que habitavam o centro da cidade de Caxias do Sul eram temidos e representados nas fontes jornalísticas de forma sensacionalista e degradante. A estigmatização da pobreza, reforçada em diversas crônicas e reportagens através da construção de estereótipos negativos, funcionava como uma representação social da infância que desconsiderava as estratégias de sobrevivência precária daquelas crianças e de suas famílias.
This paper aims to analyze in a qualitative way the representations built in news and chronicles in newspapers about homeless children in Caxias do Sul in the 1970’s. It tries to situate the different ways of control and the moralization speeches built during the civil-military Brazilian dictatorship around the social strata considered as potentially dangerous, seen inclusive as a problem to the national security of the country. Results of a degrading social order, the medicants and little beggars who lived downtown Caxias were feared and represented in the journalistic sources in a degrading and hyped way. The stigmatization of the poverty, reinforced in many chronicles and news through the building of negative stereotypes, worked as a social representation of the childhood that disregarded the precarious survival strategies of those children and their families.
© 2001-2026 Fundación Dialnet · Todos los derechos reservados