Diseases require interpretation and trigger settings of sociocultural universes in which patients are inserted. If they occupy a social dimension for excellence, understand their etiology and insert it in a broader contextis an anthropological necessity in trying to give sense to non-sense. Native models of the diseases causality are really complex and varied and in this article, written from ethnographic research conducted among patients receiving chemotherapy and radiotherapy at the Cancer Hospital of Londrina, this research brings elements that point to nerve disease as recurrent reference in explanatory models about the origin of cancer in the lower social classes. It is a reconfiguration of the nerves category, which aligns and dialogues with physiological, religious and biomedical issues and thegender relations as well, enabling a better understanding of the contours of the personhood notion among popular groups.
As doenças exigem interpretações e acionam configurações de sentido próprias dos universos socioculturais em que os doentes estão inseridos. Se elas ocupam uma dimensão social por excelência, entender sua etiologia inserindo-a num contexto mais amplo é uma necessidade antropológica pela qual se busca conferir sentido ao “não sentido”. Os modelos nativos de causalidade das doenças são bastante complexos e variados, e nesse artigo, escrito a partir de pesquisa etnográfica realizada junto a doentes em tratamento ambulatorial de quimioterapia e radioterapia do Hospital do Câncer de Londrina, busco trazer elementos que indicam a doença dos nervos como referência recorrente nos modelos explicativos acerca da origem do câncer nas classes populares. Trata-se de uma reconfiguração da categoria nervos, que alinhava e dialoga com questões fisiológicas, religiosas, biomédicas e com as relações de gênero, possibilitando mais bem perceber os contornos da noção de pessoa entre os grupos populares.
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