O presente trabalho busca apresentar uma discussão teórica sobre a criação de territórios produtos do turismo e as dinâmicas de segregação espacial no contexto de luta pelo controle do espaço urbano. De maneira específica, nosso intento é problematizar a incidência de ações governamentais pautadas na lógica da neutralização seletiva da população em situação de rua, concebidos como grupos/figurações produtores de risco constituindo desta maneira uma segregação espacial coerente à lógica da hostilidade externa e afinidade interna. Para alcançar o objetivo proposto, centramos a teoria da economia política do encarceramento, em particular destaque à obra de Di Georgi (2006) sobre a produção de grupos artificiais produtores de riscos na sociedade posfordista. Esta discussão é articulada com as contribuições de Wacquant (2010; 2011; 2006) donde se evoca as dinâmicas que consolidam as praticas de segregações impostas a determinados grupos considerados perigosos ou contagiosos. O pano de fundo é a criação de territórios produtos destinados ao turismo donde a atividade econômica coincide ou é transpassada por conflitos em função da administração e controle do espaço.
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