Coimbra (Sé Nova), Portugal
Through study of a medieval corpus (Carvalho 2017), this article analyses some phenomena of variation and change in the historical development of the primary or secondary oral falling diphthongs [aw], [aj], [ej] and [ow], highlighting some phenomena of maintenance, closing, reduction and creation in the course of their evolution. It shows how, in some lexical units, the diph- thongs were maintained throughout the medieval period, unlike the current norm (e.g. contrauto), while in other cases a late tendency towards reduction was found, even in forms today considered erudite, which later recovered the diphthong (e.g. clasula). We also look at instances of variation between -airo and -ario which may complicate the notion of what consti- tutes a “learned word”, and cases of irreversible change, with precise chronological endpoints, in proparoxy- tones (sabham > saibam). In the case of [ej] and [ow], we provide considerable evidence suggesting a chronology for monophthongization three or four centuries earlier than that given by Paul Teyssier (1980). We also touch on the variation oi ~ ui (e.g. froyto ~ fruito), found in common Galician but within a clear chronological framework in our corpus (favouring ui > u). Finally, we show that cases of anticipation of the semivowel w (augua), and reduction of the rising diphthong wa (agardar), characteristic of Galician and some social varieties of Portuguese, are also found in these documents from the coastal zone of central Portugal.
Através do estudo de um corpus medieval (Carvalho 2017), analisam-se, neste artigo, alguns fenómenos de variação e de mudança envolvidos na trajetória histórica dos ditongos decrescentes orais (primários ou secundários) [aw], [aj], [ej] e [ow], salientando-se alguns processos de manutenção, fechamento, redução e criação, no seu percurso evolutivo. Mostra-se como, em algumas unidades lexicais, os ditongos se mantiveram durante todo o período medieval, afastando-se da norma atual (contrauto, p. ex.) e, em outros casos, se registou tardiamente a tendência para a redução, mesmo em formas hoje ditas cultas, que o vieram a recuperar (clasula, p. ex.). Apresentam-se, igualmente, fenómenos de variação -airo/-ario, que poderão contribuir para a complexificação da noção de “cultismo”, bem como casos de mudança irreversível, com balizas cronológicas precisas, em formas proparoxítonas (sabham > saibam). No caso de [ej] e [ow], serão fornecidas numerosas abonações que contribuem para fazer recuar a cronologia da monotongação para três ou quatro séculos relativamente à que é referida por Paul Teyssier (1980). Referir-nos-emos, igualmente, à variação oi ~ ui (froyto ~ fruito, por exemplo), existente no galego comum mas com marcos cronológicos delineados (a favor de ui > u), na nossa coleção. Mostraremos, finalmente, que casos de antecipação de semivogal w (augua) bem como de redução no ditongo crescente wa (agardar), que caracterizam o galego bem como algumas variedades sociais do português, se encontram igualmente representadas nos documentos da zona centro-litoral portuguesa em causa.
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