A cidade do Rio de Janeiro e os temas que entrelaçam sua história têm sido cobertos por livros fotográficos dos mais diversos tipos, lançados no Brasil e no exterior, há mais de um século. Este artigo, considerando a natureza complexa e multifacetada das narrativas textuais e visuais apresentadas nessas obras, bem como a exigência de uma abordagem multidisciplinar para o tema da desigualdade no âmbito de uma história dos conceitos, procura problematizar a visualidade da pobreza na representação da “paisagem carioca”, tomada aqui como uma construção simbólica e patrimonial. A pesquisa em curso tem por premissa a polissemia da paisagem e da desigualdade e suas múltiplas dimensões epistemológicas, como conceitos que atravessam a filosofia, o direito, a sociologia e a história, tanto quanto a literatura e as artes em geral. O artigo trata mais detidamente da vida e da obra do fotógrafo alemão Hans Mann (?-1966) e dos fotolivros que realizou sobre a América do Sul, publicados entre as décadas de 1940 e 1960, entre os quais destaca-se aquele dedicado ao Rio de Janeiro (Zauberhaftes Rio/ Strollingthrough Rio, 1958)
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