Que o imaginário medieval perpassa a representação da realidade americana no período colonial é uma idéia que a crítica cultural contemporânea dificilmente pode ignorar. Relativo a isso, um dos mais significativos componentes desse legado medieval – a tradição bestiária – pode ser examinado como instrumento retórico da escrita européia conquistadora. Relações de poder, nesse tipo de escrita, podem ser analisadas como formações discursivas que usam aspectos da monstruosidade e do gender como estratégias de dominação. Neste estudo das identidades bestiárias coloniais, a ordem política da bestialização e da configuração do gender é examinada nas crônicas portuguesas sobre o Brasil dos séculos XVI e XVII.
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