Ovídio declara, nas Metamorfoses, que irá narrar as mudanças das formas, mutatas formas (Met.1.1), o que determinará o surgimento de novos corpos: noua corpora (Met.1.1-2), todavia sua intenção se dirige aos deuses: di ... adspirate meis... (Met.1.2-3). Por meio de uma múltipla conjunção de diversas transformações, o poeta latino desenvolve, na obra, a perpétua combinação do que persiste, mens, e do que perece, corpus, correspondendo, assim, ao enunciado do poema: a identidade de um ser transformado se manifesta em uma “outridade”. Pretende-se apresentar, neste artigo, um conceito de metamorfose com a finalidade de entender a proposta do poeta e demonstrar que há uma estrutura narrativa original nas Metamorfoses. Como conduta para formular uma conceitualização de metamorfose na obra ovidiana, o trabalho terá como alicerce os estudos de Chcheglóv (1979), Galinsky (1975), Marzolla (1979), Calvino (1993), Tronchet2 (1998) e Octavio Paz (1982).
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