Durante séculos, o antigo, o tradicional, foi visto como superior ao novo na literatura. A popularidade da imitação de modelos antigos foi se enfraquecendo gradativamente, principalmente a partir do romantismo. No século XX, o novo passou a ser hegemônico, e tudo relacionado ao passado passou a ser frequentemente associado ao que é inferior. O contemporâneo é considerado como sendo cada vez mais autossuficiente. T. S. Eliot batizou essa tendência de “provincianismo temporal”, termo esse, que é retomado no século XXI pelo filósofo e escritor brasileiro Antônio Cícero. Eliot e Cícero testemunham, respectivamente, dois momentos históricos em que a supervalorização do presente agravou-se: o modernismo e a era da informação. Em resposta a essa crise, ambos os autores, propõem a conciliação entre a tradição e o novo, entre o passado e o presente. Nesse contexto, o ensino de literatura nãocontemporânea tem a função crucial de colaborar com a construção de pontes que nos ajudem a não permanecer ilhados no presente.
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