Partindo da reiteração da figura materna em alguns textos rosianos, ainda que camuflada, como no significante “etimológico” de “Famigerado”, escandido em “faz-me-gerado, familhas gerado, falmisgeraldo”; a ecoar o nome-da-mãe, o texto se deterá na Bigri, mãe de Riobaldo, em Grande sertão: veredas. Através de significantes recorrentes a caracterizarem, a um só tempo, o amor Diadorim e a mãe Bigri, pretende-se mencionar a relação metonímica entre as duas personagens, figurando o primeiro destino do Édipoa ser cumprido, na busca da identidade de todo “homem humano”. A partir dessa primeira travessia edípica, apontar-se-á o “nome-do-pai”, no sentido lacaniano, como uma “invocação” constante de Riobaldo, errando pelo grande sertão. Essa marca da lei que institui o sujeito societário será também figurada; agora, através de metáforas. Tais metáforas paternas deslizarão da ausência do pai “real”, representada na bastardia do narrador e, passando pelo pai imaginário, personificado em Zé Bebelo, culminarão em Joca Ramiro, pai simbólico que sofrerá o parricídio. Dessa forma, não só se cumprirá a segunda prescrição do mito edípico para a constituição da individualidade do sujeito como, ainda, se evocará o mito da horda primitiva, a apontar a necessidade da lei, o eco contínuo do nome-do-pai, na constituição do sujeito social e na instituição do processo civilizador.
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