Can love redeem existence? Starting from the classical vision of love expressed in The Banquet, by Plato, we seek here to put into perspective the questions that open the final stanzas of V and X cantos of Camões epic work, Os Lusíadas, in which a sense of pessimism appears to distance the poet from his initial pride position. For questioning this break we propose a quick analysis of historical and social issues of the Portuguese kingdom in the Renaissance context. Beeing impossible to close the issue in this analysis, we show the poet's dissidence against the pragmatical materialism of his time, confirmed in his mythological conception of nature expressed in his work. The appreciation of the episode of the "insula divina", present in the cantos IX and X of the poem, and the idea of "procreation in the beautiful" and contemplation of "the great machine of the world" come to solve the issue. At last this paper tries to predict the reverberations of that mythical destination in Mensagem, by Fernando Pessoa. What we could see in the Renaissance as a solution that tended to the ideology of expansion of nature in the intervening forms of mythological figures in Fernando Pessoa turned out to be in the name of a new destination still (or again) to come.
Pode o amor redimir a existência? Partindo da visão clássica de amor expressa em O banquete, de Platão, buscamos aqui colocar em perspectiva as questões que se abrem nas estrofes finais dos cantos V e X da epopeia camoniana, trechos em que um sentimento de pessimismo parece distanciar o poeta de sua posição inicial de orgulho. Para a problematização dessa ruptura, propomos uma rápida análise de temas históricos e sociais do reino português no contexto do renascimento. Sem ser possível encerrar a questão nessa análise, sobressai a dissidência do poeta em relação ao pragmatismo material de seu tempo, confirmada na concepção mitológica da Natureza expressa em sua obra. A apreciação do episódio da “insula divina”, presente nos cantos IX e X do poema, e a ideia de “procriação no belo” e a contemplação da “grande máquina do mundo” surgem para resolver o problema. Resta ainda prever as reverberações desse destino em Mensagem, de Fernando Pessoa. O que no renascentista pudemos perceber como uma solução que tendia para a ideologia de expansão da natureza nas formas interventoras de figuras mitológicas, em Fernando Pessoa revelou-se como a designação de um destino ainda (ou novamente) porvir.
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