Existirá um “património português no mundo”? A bem dizer, não.
O mundo português — esse “império” que não ousou usar o nome — foi construído a partir de um encontro de culturas estranhas, de que resultou um hibridismo estético. Parece-nos, assim, preferível falar apenas num património “de participação” portuguesa — para o qual “alguém” ou “alguma coisa” oriunda desse país, Portugal, teve um qualquer papel no sempre complexo processo da sua conceção, execução e do seu uso. Um património em que algum elemento português — espiritual, modelar, ou pessoal — desempenhou um lugar de maior ou menor relevo na sua génese inspiradora, na sua realização, ou nas múltiplas modalidades de utilização que teve. Para lá do debate jurídico, que se afigura insolúvel, o que conta são os aspetos morais e históricos, à luz dos quais, a partir de uma dinâmica internacional de diálogo fraterno e de colaboração frutuosa, entre o Portugal europeu e o resto do mundo, será possível um futuro em que a partilha do património como herança comum sirva de agente catalisador
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