Este artigo trata sobre mudanças – ocorridas a partir da modernização da agricultura – nos hábitos alimentares de famílias rurais descendentes de imigrantes pomeranos da região da Serra dos Tapes, localizada no estado do RioGrande do Sul, Brasil. A premissa é de que as mudanças nos modos de vida, nas relações produtivas e, por conseguinte, nas condições socioeconômicas, refletem transformações na matriz alimentar e nas relações que o grupoestabelece com a comida. Observamos que, por maiores que sejam as mudanças ocorridas nos hábitos alimentares das famílias descendentes de imigrantes pomeranos estudadas, as práticas alimentares tradicionais permanecem presentes, sendo atualizadas e ressignificadas. No que se refere à alimentação cotidiana, nota-se maior distância entre o tradicional e o moderno, decorrente das transformações nos modos de produzir e na divisão de trabalho nas unidades familiares, assim como nos valores, desejos e necessidades que chegam ao meio rural, em um processo de aproximação material e simbólica com o meio urbano. Observa-se que, ainda que, tal qual em outras partes, esteja em curso no universo empírico analisado um processo de homogeneização de modelos alimentares, práticas tradicionais e específicas, herdadas, permanecem presentes na mesa e na vida desses colonos.
© 2001-2026 Fundación Dialnet · Todos los derechos reservados