O objetivo deste artigo é analisar como as mulheres e demais protestantes da Marcha das Vadias de Natal, Brasil, se utilizam de seus próprios corpos, além de suas vestimentas e inscrições corporais, como formas de mídia, capazes de propagar a ideologia feminista presente na raiz da manifestação, a partir de tecnologias que efetivem a si mesmas enquanto sujeitos feministas.
Como procedimento metodológico, realizamos observações e fotocartografamos a Marcha das Vadias, para posteriormente desenvolver teorizações, nas quais nos apropriamos da ferramenta de análise de técnicas de subjetivação. A Marcha das vadias, versão brasileira do movimento SlutWalk, é um protesto com raízes feministas que ocorre em várias cidades do mundo desde 2011. No ano de 2014, o evento, em Natal, teve como temática a Copa do Mundo de Futebol que estava acontecendo no Brasill, da qual a cidade foi uma das cidadessede.
O ato, que aconteceu no dia 21 de junho de 2014, reuniu cerca de 70 participantes, dentre homens e mulheres. Por ser um movimento focado na relação entre a forma como a mulher lida com o próprio corpo e o assédio sexual, as mulheres costumam usar roupas que são estereotipadas como as das "verdadeiras vadias", na tentativa de mostrar para a sociedade que as mulheres não podem ser culpadas pelos abusos que correm o risco de sofrer. Elas defendem que não é pelo fato de se usar roupas curtas e provocantes que se há o direito de violar suas vontades.
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