Brasil
Nesta dissertação abordamos a utilização da mise en scène no âmbito do documentário paraibano desde o primeiro ciclo de cinema deste Estado (década de 1960), até à década de 2000, através da análise fílmica de cinco documentários, sendo eles: Aruanda (Linduarte de Noronha, 1960), A pedra da riqueza (Vladimir Carvalho, 1975), Imagens do declínio, ou Beba Coca Babe Cola (Bertrand Lira, Toquato Joel, 1981), Passadouro (Torquato Joel, 1999) e Oferenda (Ana Bárbara Ramos, 2009). Para suprirmos às carências e ambiguidades que permeiam as categorias aqui utilizadas, isto é, documentário, mise en scène e representação fílmica, fomos impelidos pelas circunstâncias a começarmos por uma busca conceitual plural e interdisciplinar, procurando auxílio nos campos da teoria do cinema e naquela do documentário, na teoria sociológica e antropológica, naquela da comunicação social e ainda, na semiótica da imagem cinematográfica. Foi a partir destes aprofundamentos que abordamos o objeto aqui representado pelos filmes paraibanos, procurando dialogar tanto com autores da teoria do cinema, como também, com cineastas que, ao debruçar-se sobre a sétima arte, introduziram e discutiram conceitos que também podemos considerar complementares àqueles retratados neste trabalho acadêmico. Enxergamos, pois, a mise en scène como uma articulação multi-conceitual e uma práxis fílmica igualmente complexa e heterogênea, ao implicar questões técnicas, estéticas e ideológico-morais. Nesta conjuntura, o grau de controle por parte do realizador, em termos de encenação, é reduzido a respeito do cinema ficcional, devido à auto-mise en scène dos atores sociais, isto é, a autorepresentação por parte dos personagens dos filmes não-ficcionais.
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