Mediante a investigação da capacidade prática da razão, o projeto moral kantiano almeja: i) mostrar que a moralidade é possível e, ii) como os seres humanos (seres racionais e sensíveis) podem agir moralmente. Procuraremos, no presente artigo, abordar a primeira tarefa da moral kantiana. Com esse propósito, pretendemos elucidar um dos elementos centrais à compreensão da sua filosofia prática, a saber, o conceito de Dever. A filosofia prática kantiana apresenta, primeiramente, a preocupação com a busca, o desenvolvimento e a fixação de uma proposição prática fundamental, a saber, uma lei prática, a qual possa se apresentar enquanto um princípio prático universal a ser seguido; há, no momento da fundamentação da moralidade, a preocupação de encontrar (e fixar) uma lei prática que possa ditar todo o dever-ser, ou seja, tudo aquilo que deve necessariamente acontecer do ponto de vista moral – uma lei que determina o agir e a ação com valor moral. Por considerarmos a noção do dever central no (e ao) pensamento prático kantiano e com o intuito de tentar oferecer uma elucidação dessa busca (e desenvolvimento) de Kant pelo princípio supremo da moral – os fundamentos da ação detentora de valor moral – buscaremos aqui expor o próprio conceito de dever em Kant, o que caracteriza uma ação precisamente por dever e porque, segundo Kant, apenas a ação por dever é a única ação com o genuíno valor, a saber, o valor moral. [doi:http://dx.doi.org/10.7443/problemata.v5i2.20681]
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