Quando se observa a produção literária e musical de Arnaldo Antunes, ex-Titã, duas linhas de pensamento podem vir à tona. A primeira, de que qualquer pessoa pode escrever assim; a outra, de que ele é um grande revolucionário da poesia. Nem uma, nem outra. Na verdade, os trabalhos de Antunes refletem um projeto estético em que a palavra, tomada em sua organicidade, venha a ser ponto essencial na configuração de significados. Significante que, apontando para si mesmo, acaba por constituir novas realidades. Percebe-se, neste sentido, a preocupação do poeta em reorganizar o universo humano, temporal e físico para que, com isso, estabeleça uma nova gênese.
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