O presente trabalho objetiva analisar o relato memorialístico de Alfredo d'Escragnolle Taunay, A Retirada da Laguna: episódio da guerra do Paraguai, na qual o autor, na condição de engenheiro militar que participou da expedição que procurou socorrer a província de Mato Grosso, atacada pelos paraguaios, registra o drama vivido pelos soldados brasileiros no caminho percorrido e especialmente na retirada do território inimigo, ocorrida entre 08 de maio e 11 de junho de 1867. Para tanto, levamos em consideração o contexto da época em que foi escrita, os valores pessoais de Taunay, o papel histórico da obra e os significados que a mesma adquiriu e tem para a historiografia em torno da Guerra do Paraguai. Diante do inegável caráter oficial do relato, discutimos também o modo como o escritor, embora tenha exaltado o patriotismo e a coragem dos combatentes brasileiros, revelou as falhas de comando e as precariedades da coluna, entrando assim, em nítida contradição com o tradicional discurso adotado pelo governo imperial naquele período.
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