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Implicações das representações sociais na vulnerabilidade de género para SIDA entre jovens universitários: estudo comparativo Brasil/Portugal

  • Autores: Mirian Santos Paiva, Lígia Amâncio
  • Localización: A questão social no novo milénio, 2004, pág. 328
  • Idioma: portugués
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  • Resumen
    • A sida desde o seu surgimento foi representada como uma doença do "outro", que era do sexo masculino, homossexual e adulto, e por esta razão, escamoteou a vulnerabilidade dos homens e das mulheres heterossexuais, bem como de jovens e idosos. Sabe-se que a vulnerabilidade à infecção pelo HIV guarda relação não só com os comportamentos individuais, principalmente aqueles relacionados à sexualidade e identidade de género, mas também, com o comportamento dos parceiros, com as condições sociais que deveriam proporcionar acesso aos serviços de saúde e, com existência de políticas públicas eficazes. O fenómeno da sida está ligado às práticas sexuais e em decorrência dos papéis sexuais. Quando a sexualidade é discutida, homens e mulheres apresentam respostas diferentes em decorrência dos diferentes processos de socialização que experimentam ao longo de suas vidas, o que estabelece padrões diferenciados de vulnerabilidade entre eles. Não se discute que medidas de prevenção são necessárias para modificar o estado actual da epidemia. Todavia, sabe-se que as dificuldades de prevenção da sida por parte das mulheres desvelam a importância de serem explicitadas as questões de género que circundam todo o enfrentamento da sida, já que a subalternidade de género tem se mostrado determinante na vulnerabilidade das mulheres. O papel da sexualidade na prevenção da sida assume um interesse particular quando se considera adolescência e a juventude, pois é nesta etapa da vida que o adolescente/jovem inicia sua vida sexual. Isto se reveste de fundamental importância, dado que a proporção de jovens portadores do HIV está em torno de 13% do total de casos notificados no Brasil e, de 7,53% em Portugal. Esta investigação tem como objectivo geral comparar o campo das representações sociais da sida de grupos de jovens universitários(as) brasileiros(as) e portugueses(as) e como objectivos específicos identificar o conjunto de características individuais e sociais presentes no quotidiano dos/das jovens que as/os tornam mais vulneráveis à infecção pelo HIV; identificar estratégias de enfrentamento da infecção pelo HIV e medidas de prevenção a serem adoptadas pelos(as) jovens e identificar as representações sociais da sida, sexualidade, sexo e práticas sexuais de jovens universitários(as). Tomou-se como suportes teóricos a Teoria Feminista, a construção teórica sobre vulnerabilidade proposta por Mann (1993) e por Ayres (1999) e a Teoria das Representações Sociais (TRS) de Moscovici (1961), pela sua importância na análise de aspectos psico-sócio-culturais que permeiam o processo saúde/doença e as práticas sociais relativas ao mesmo, assim como pelos actos de comunicação social e os fenómenos colectivos que contribuem na formação de condutas e, mais precisamente, das regras que regem o pensamento social. Trata-se de um estudo do tipo descritivo, exploratório e comparativo (Brasil e Portugal), com abordagem multimétodos, pois utilizou o teste de associação livre e a entrevista semi-estruturada. Para a análise dos dados apreendidos a partir da associação livre de palavras foi feita a Análise Factorial de Correspondência (AFC) através do Software Tri-deux-Mots. As entrevistas foram analisadas utilizando-se a técnica análise de conteúdo temática. Os resultados apontam para uma vulnerabilidade de género a partir de praticas e comportamentos individuais e sociais que deixam as jovens mais vulneráveis que os jovens em ambos os países.


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