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Arte-educação para jovens de periferias urbanas como estratégia de enfrentamento da criminalidade

  • Autores: Cármem Sílvia Sanches Justo, Joana Sanches Justo, Luciana Ramin
  • Localización: A questão social no novo milénio, 2004, pág. 308
  • Idioma: portugués
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  • Resumen
    • No âmbito da sociedade brasileira, tem sido cada vez mais preocupantes os índices crescentes de criminalidade envolvendo jovens, e isto vem acontecendo não apenas nos grandes centros urbanos, mas também em cidades de médio porte, como Marília-SP, cuja estimativa populacional aproxima-se de 200 mil. Estudiosos no assunto têm historicamente enfatizado que fatores como pobreza, má distribuição de renda, desemprego, aumento do narcotráfico, escola ineficiente, falta de políticas públicas preventivas direcionadas ao segmento infanto-juvenil da população são ingredientes importantes no aumento da violência, embora reconheçam que nenhum deles sozinho faça crescer a massa de participação do jovem na criminalidade.

      Portanto, convém ter sempre presente a articulação entre as dimensões estrutural, cultural, e também política, implicadas na compreensão da violência. Trata-se, como sabemos, de uma problemática complexa, multicausal, cujo enfrentamento depende da percepção, tanto de fatores estruturais, ligados ao empobrecimento de parcelas cada vez maiores da sociedade, como de ingredientes subjetivos, fermentados em um caldo de uma cultura violenta, xenófoba, individualista e intolerável às diferenças étnicas, sexuais etc, que tem sido a marca das relações humanas na contemporaneidade.

      O estudo por nós conduzido teve como propósito implementar estratégias educacionais alternativas que se mostrassem apropriadas ao trabalho de ressocialização de alunos com freqüência escolar irregular, na expectativa de contribuir para mitigar a participação do jovem na criminalidade.

      Foram desenvolvidas 12 sessões de grupo e realizadas oficinas de música e fotografia, em uma escola de ensino médio, visando construir com os 20 participantes, um espaço aberto de interlocução sobre as causas da violência, criar letras críticas de rap e produzir ensaios fotográficos sobre o bairro e a cidade.Trabalhou-se o "olhar" dos jovens através da leitura de imagens fotográficas, pautadas em questões como: O que vejo? O que sinto? O que penso? O que posso fazer para mudar? As atividades do projeto empolgaram os alunos pelo fato de terem uma dinâmica diferente, onde os alunos podiam se expressar nas letras de música e fotografias criadas por eles mesmos. Além disso, também responderam a uma enquête, através da qual se procurou conhecer o que pensavam sobre os problemas sociais, seus medos e anseios de realização pessoal e profissional. Em suas respostas, observou-se que os pais exercem fascínio nos filhos, sendo vistos com grande admiração, como amigos e a possibilidade de perdê-los é algo que causa muita insegurança na maioria; para se divertir, os jovens gostam de estar com os amigos em passeios, bares, assistir à TV, jogar vídeo game; ser cidadãos para eles é respeitar as coisas, os outros e ajudar quando preciso. Alguns querem ser jogadores de futebol ou seguir carreira artística,cantando rap (já que o rap funciona como forma de denunciar as injustiças sociais), ou trabalhando como atores de tv. Uma parcela significativa dos entrevistados quer estudar e conseguir bons empregos e embora tenham medo do futuro, acreditam no estudo como a única maneira de mudarem suas condições de vida.

      Enfim, os resultados obtidos atestaram a eficácia da arte-educação e da discussão conjunta para os jovens re-significarem suas experiências escolares e de vida, contribuindo para ampliarem sua consciência perceptiva sobre os fatores estruturais e culturais associados à violência e ao aumento da criminalidade.


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