A presença, no imaginário social, da família, como espaço de socialização unicamente pelo afeto, respeito aos indivíduos e união pelo amor, tem dificultado, em muito, a análise da família enquanto instituição social que, como as demais em nossa sociedade, está travessada por relações de poder e dominação. Ainda hoje, é dificultoso analisar a família, como uma instituição que se modifica em consonância com as transformações históricas, adquirindo particularidades em diferentes sociedades.
Assim, refletir e debater sobre as diferentes possibilidades de intervenção apresenta-se como essencialmente atual e desafiador para a reflexão acadêmica e o exercício profissional na medida em que, a família vem sendo considerada, novamente, como o espaço privilegiado de atenção das políticas públicas.
É importante notar, que embora possam ser identificadas diferentes e por vezes divergentes concepções sobre a família comportando, ao longo do tempo, tensões acerca de seu significado, é a difusão da concepção do modelo nuclear burguês, tomado como natural, que se apresenta, ainda hoje, como dominante em nossa sociedade. Este modelo traz com ele embutido a fixação dos lugares de homens/pais e mulheres/mães nesta instituição, tomados como naturais.
Partilha-se da concepção de que a análise desta instituição com base na perspectiva de gênero tem trazido contribuições significativas para a compreensão dos lugares sociais ocupados por homens/pais, mulheres/mães e crianças/filhos (as).
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