Os debates no universo conceitual sobre adolescente infrator parecem deixar em segundo plano o foco que ilumina as análises baseadas na família que propõe a pensar o adolescente como ser em desenvolvimento, que faz parte de um complexo multifacetado, do qual a família é parte constitutiva e principal. Diante da ineficiência das propostas no atendimento a adolescentes em conflito com a lei, que não tem levado em conta tal complexidade; da visão estigmatizada da sociedade sobre eles, propôs este estudo, com o objetivo de refletir o papel socializador da família na perspectiva dos jovens, família e profissionais que atuam junto a Vara da Infância e da Juventude de João Pessoa - Pb, Brasil, na aplicabilidade das Medidas Sócio-Educativas do Estatuto da Criança e do Adolescente. Demonstrando a evolução do conceito de família e qual a influência que as novas formas exercem sobre o adolescente infrator; Identificando o grau de importância que os agentes pesquisados atribuem à família na socialização do adolescente infrator; E demonstrando a escassez de políticas públicas que assistem as famílias no processo de socialização. Participaram deste estudo 18 jovens, de ambos os sexos, com idade entre 15 e 19 anos, que responderam ou respondem a processos na Vara acima citada, e suas respectivas famílias, como agentes privilegiados entrevistamos, 02 Juízes de Direito, 02 Psicólogas, 03 Assistentes Sociais e 01 Pedagoga, todos funcionários da respectiva Vara. A entrevista individual com roteiro semi-estruturado foi o principal instrumento de coleta de dados, sendo complementada por notas em diário de campo, pesquisa documental e bibliográfica. As falas dos entrevistados também foram utilizadas como dados complementares para conferir ênfase ao tema que estava sendo abordado. A análise desenvolveu-se utilizando uma abordagem qualitativa dos dados numa perspectiva analítico-crítica. E demonstrou que as várias facetas na vida e composição familiar que influenciam o adolescente são apontadas pelos profissionais, pelos jovens e inconscientemente pelos pais como sendo a maior dificuldade deles viverem o dia-a-dia longe das infrações. A vida concreta desses adolescentes é percebida por eles pela precariedade, não só econômica, mas também de vínculos, eles vivem sofrendo a influência de violência, na provisoriedade e na instabilidade, perpassados por aspectos psicossociais como estigmatização e culpabilização. A vivência dessa realidade parece gerar sofrimento, freqüentemente, expresso pela revolta como forma de demonstrar a inconformidade diante das condições de existência e dos tratamentos recebidos. Os pais não requerem aquilo que os filhos tem de direito, por desconhecerem seus próprios direitos e também fica claro a omissão do Poder Público e a passividade que os agentes privilegiados, conhecedores de suas obrigações e de tais direitos, quanto à falta de políticas públicas que proporcione condições dos adolescentes abandonarem de vez esse tipo de vida. A coexistência desses motivos, dentre outros, acrescido da humilhação e descriminação e truculência com que se referem ser tratados pela polícia, parecem favorecerem a inclusão no mundo do crime. Expressam o desejo de socialização, passando pela profissionalização e retomada dos estudos, para isso refere-se sempre a necessidade de apoio familiar e profissional dos que estão ligados às Medidas imposta pelo M.M. Juiz, sem os quais a socialização não deve passar de uma ilusão, que descrimina, humilha e gera sofrimento.
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