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Academia de ginástica: contemporaneidade, expressões corporais e sentido

  • Autores: Rosa Frugoli
  • Localización: A questão social no novo milénio, 2004, pág. 269
  • Idioma: portugués
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  • Resumen
    • Este trabalho investiga o significado da atividade física regular em uma academia de ginástica da cidade de Taubaté/SP/Brasil. Como nas últimas décadas a preocupação com a saúde e com a estética corporal levou a um aumento do número de espaços e locais especializados nesta questão, a academia torna-se também um micro-espaço relevante para o entendimento das novas relações e interações sociais de um contexto global. A questão que se coloca é como estas influências chegam nas relações diárias, mais especificamente em se tratando de pessoas que tem acesso e podem usufruir dos bens de consumo. Neste sentido, por quais caminhos estas transformações que estão vinculadas ao eixo político-econômico re-significa as expressões corporais em atividades decorrentes das novas linguagens sociais? Da perspectiva da questão formulada, o objetivo foi o de entender como a prática regular de uma atividade física num local determinado delineia o modo de vida dos envolvidos, como é o cotidiano deste ambiente e em quais elementos sócio-culturais se disponibilizam a valorização corporal nos moldes apresentados neste espaço. Na condição de pesquisa qualitativa, esta foi circunscrita na observação da rotina e na interpretação de entrevistas realizadas com os freqüentadores daquele espaço, no período de outubro/03 a fevereiro/04. A escolha da cidade ocorreu por ser um município de médio porte e apresentar movimentos políticos, econômicos e culturais que se assemelham àqueles que ocorrem nos grandes centros urbanos. A sistematização inicial dos dados colhidos indica que talvez a idéia da satisfação do corpo idealizado pelos canais midiáticos que se revelam neste local está mais próximo de ser um instrumental que continue a racionalização e a disciplina dos corpos individualizados do que um estado de bem estar do sujeito. Em outros termos, refiro-me aos seguintes indicativos: a) a disciplina do corpo funcional, dócil e útil e a repressão no molde do processo civilizatório sugerido por Michael Foucault (1997) e Norbert Elias (1992) não respondem mais às exigências do atual tempo econômico, político e sócio-cultural; b) na transição do modelo disciplinador ao "liberalizante" da concepção construída na imagem estética, de juventude e de saúde, os comportamentos apresentados na academia de ginástica, conseqüentemente, as expressões corporais ali presentes não se traduzem numa verdadeira libertação do corpo relativo aos constrangimentos adotados na modernidade, pelo contrário, há indicativos de que a disciplina ganha outras roupagens e se desloca do campo objetivo ao campo subjetivo, representa mais uma forma sutil utilizada pela sociedade para continuar a exercer a dominação, mesmo com características diferenciadas; c) pela pesquisa realizada foi possível notar quais os elementos do imaginário dos freqüentadores da academia de ginástica estudada que perpassam as tecnologias de informação e comunicação e que constitui a subjetividade desse grupo; d) no espaço da academia o corpo apresenta-se como um elemento a ser remodelado requerendo esforço e dedicação máxima; e) na condição de espaço de convivência social mostra-se numa relação contratual representada, segundo Marc Augé (1994: p. 93-94), por símbolos da supermodernidade como um não-lugar ou um espaço de solidão. Enfim, a academia de ginástica estudada caracteriza-se em um ambiente contraditório do ponto de vista da vida saudável propagada àqueles que podem pagar, pois por um lado estimula a saúde e a qualidade de vida, mas por outro lado esse alcance está associado por um ideal corporal desproporcional ao próprio corpo e ao cotidiano dos inscritos.


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