Esta comunicação discute a criação da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, em 17 de Julho de 1996, como o culminar de uma longa busca pela unificação dos países de língua oficial portuguesa. As intenções da criação de uma comunidade luso-brasileira-africana são um sonho acalentado por Portugal, desde a independência do Brasil.
Portugal não aceitava a ideia da perda da sua grande antiga colónia, ja que o Brasil era o eldorado dos emigrados portugueses e um dos grandes subsidiários da economia portuguesa. Prova disto era que a balança comercial entre os dois países no fim do século XIX e início do séc. XX era sempre favorável a Portugal . Sobretudo Portugal contava com um sentimento de que o Brasil era o seu país irmão, tendo as afinidades necessárias para se afirmar uma comunidade recíproca entre os dois países, afinal a colónia portuguesa no Brasil era realmente significativa para a economia portuguesa e a manutenção dos laços e transmissão da cultura portuguesa no Brasil. Não podemos deixar de observar que os países africanos entravam na formação da comunidade porque pertenciam ao Império.
Para não perder os laços com sua antiga colónia, Portugal passou a defender a ideia da criação de uma comunidade luso-brasileira que englobava suas colónias em África, formando assim uma grande comunidade económica de países de língua portuguesa. Esta proposição, para tentar convencer o Brasil da utilidade que poderia ter a criação desta comunidade, era acompanhada pela ideia da criação de um porto seco em Lisboa, aclamada "Porta para a Europa". Expressão esta utilizada até hoje em discursos de ambos os países, como a do Primeiro Ministro português em visita resente ao Brasil "Os grandes empresários brasileiros já entenderam que é uma grande vantagem aceder ao maior mercado do mundo que é a União Europeia e que podem atingi-lo através de Portugal" ; discurso semelhante ao que se fazia no inicio do século.
A teoria do porto seco de Lisboa baseava-se que o Brasil deveria reunir seus produtos tropicais com os produtos oriundos da Africa e comercializarem conjuntamente na Europa, através do Porto Seco de Lisboa . O objectivo maior era a implantação de um entreposto comercial em Portugal para os produtos vindos de África e do Brasil. Não deixava de ser o antigo pacto colonial travestido de um pacto de comunidade e que continha a ideia de fazer Portugal o centro distribuidor dos produtos tropicais.
E importante situar historicamente estes factos, pois a busca por formar união bilaterais ou multilaterais entre os países estava muito em voga nos fins do séc. XIX e início do séc. XX. Muito discutia-se sobre a unificação entre os países europeus para evitarem possíveis conflitos, e os benefícios económicos da criação de uma comunidade pan-americana, com uma possível união da Espanha com países da América de língua espanhola; a doutrina Monroe, com a pertinência do slogan "América para os americanos" dentre outros. "O mundo de amanhã verá formarem-se federações de Estados, grandes agrupamentos baseados sobre uma comunhão de interesses económicos e políticos e sobre uma comunhão de origem étnica, de língua, de religião."
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