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A juventude universitária e a nova sociabilidade: continuidade ou ruptura?

  • Autores: Loriza Lacerda de Almeida
  • Localización: A questão social no novo milénio, 2004, pág. 221
  • Idioma: portugués
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  • Resumen
    • A expansão das oportunidades de acesso à universidade, após os anos 70, levou o ensino a um processo de massificação, mudando a fisionomia do estudante universitário e do próprio ensino.

      No que se refere à qualidade, ficou garantido ao ensino superior um nível mínimo necessário, de tal forma que fossem oferecidas as possibilidades de competitividade no polo trabalho, ao mesmo tempo em que fosse mantida a expectativa de ascensão social como forma de negar o antagonismo existente entre as classes sociais. Se por um lado, a expansão de oportunidades de acesso ao ensino superior se efetivaram, a partir da reforma e das pressões sociais externas à instituição universitária, por outro lado a massificação do ensino superior promoveu uma alteração qualitativa na formação dos estudantes, que detonou a chamada 'crise da universidade'.

      Neste sentido, o jovem universitário se depara hoje, muito mais com a preocupação relativa a sua inserção futura como força de trabalho, do que com a vida universitária propriamente dita. De tal forma esta preocupação se avizinha no cotidiano do estudante universitário que ele, invariavelmente, tende a se afastar de formas coletivas de ação no âmbito da universidade, preocupado que está com sua própria sobrevivência enquanto força de trabalho.

      Tal comportamento possibilita análises de natureza pessimista, dando conta de que atualmente o jovem é desinteressado, apático, alienado, em suma, que apenas se entrega a interesses individualistas.

      Neste sentido, a construção histórica deste sujeito vem sofrendo alterações decorrentes das mudanças conjunturais, tornando-se ele mesmo um novo jovem, com focos de preocupações distintos de outras gerações. Decorrente deste processo, de alterações profundas tanto da conjuntura econômica, em especial a partir das crises dos anos 80 no Brasil, quanto das prioridades a que vai se expondo a juventude, que as formas de engajamento e de representação política também entram em um processo de crise e de mudança, em relação às formas tradicionais de ação e representação política.

      Para que a participação política da juventude universitária seja assegurada, é necessário que ela seja construída em outras bases, para ter repercussão junto aos estudantes. A crise das representações de que tanto se fala, não passa necessariamente por sua legitimidade, mas sim pela pertinência das causas que são representadas.

      Vista de perto, a situação da juventude retrata, de forma singular, questões que são da vida coletiva, da vida social. As expectativas da juventude, no que diz respeito à inserção no mercado de trabalho, não se referem a um momento particular do ciclo da vida destes sujeitos, mas são sobretudo expressões singulares de processos sociais que são gerais e que se referem à crise econômica, à exclusão social, à ausência de cidadania e à massificação do ensino, da cultura e do consumo.

      Concorre ainda para o afastamento das ações mais voltadas à participação coletiva, todo um conjunto de assertivas divulgadas pela mídia, pela universidade e pela ideologia, de que na contemporaneidade o individualismo é inexorável, que aos estudantes compete estudar e não fazer política e, sobretudo, que não existem quaisquer possibilidades de mudanças estruturais, logo, o envolvimento não vale a pena.

      Estas seriam as razões que justificariam uma juventude alheia e desvinculada da participação política. No entanto, o imobilismo não é real. O que se insinua são novas formas de engajamento político, substituindo as formas tradicionais de participação.

      É nesta perspectiva que apontamos a necessidade de agregar outros instrumentos de análise, que dêem conta de compreender a mudança de identidade da juventude dos anos 60 para a nova identidade dos anos 90, assumida pelos jovens. Essa mudança de identidade se desloca basicamente da radicalidade da polarização entre o movimento estudantil e a ditadura para a ação mais universalizante da cidadania.


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