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Sindicalismo, trabalho e educação & desenvolvimento: um panorama e uma comparação entre as posições de sindicatos docentes no Brasil e em Portugal

  • Autores: I.N. Leite
  • Localización: A questão social no novo milénio, 2004, pág. 147
  • Idioma: portugués
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  • Resumen
    • Nos últimos tempos, a importância que se tem atribuído à relação educação e trabalho tem sido de tal magnitude que em torno dela convergem não só focagens académicas específicas (por exemplo, de historiadores, sociólogos e economistas) como também as atenções dos mais variados intervenientes sociais, podendo mencionar-se, entre eles, políticos e empresários. Esta "convergência de abordagens" é impulsionada por um mapa discursivo onde, dentre outras, a noção de produtividade desempenha um papel central. Refere-se a formulação de uma educação para o trabalho como o factor que, atendendo às demandas do mercado, é indutor do desenvolvimento, livrando assim os países dos seus supostos "atrasos estruturais". Este é o âmbito geral que a presente Comunicação tem em perspectiva, resultando ela de uma Tese de Doutoramento apresentada na Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto. Isto é, tendo em conta as políticas educativas pensadas em função do aludido cenário, no Brasil e em Portugal, realiza-se um movimento analítico procurando conhecer os discursos de sindicatos docentes em relação às mesmas nos dois países, ao longo dos anos 1990, desenvolvendo-se em seguida um panorama comparativo entre os discursos. No referente ao Brasil, define-se como entidade a ser focada a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE); quanto a Portugal, é delimitada a Federação Nacional dos Professores (FENPROF). Metodologicamente, a investigação utiliza dois recursos: Entrevistas, realizadas com membros das Direcções das duas entidades; e análise documental, relativa aos documentos produzidos por ambas durante o período em consideração. A abordagem empreendida revela, por exemplo, que os discursos da CNTE e da FENPROF perante a relação educação e trabalho têm três dimensões. No caso da CNTE, as dimensões são (1) uma apreciação da globalização, das novas tecnologias e das transformações no mundo do trabalho; 2) uma avaliação crítica das políticas educativas desenvolvidas; 3) e a apresentação de proposições próprias no quadro da mencionada relação. No caso da FENPROF, elas são (1) a compreensão de que o ensino profissional é caminho para Portugal superar o seu "atraso estrutural"; 2) um questionamento passivo às iniciativas governamentais; 3) e a apresentação das suas proposições para o referido contexto. A partir disso, constata-se que há convergências e divergências entre os discursos da CNTE e da FENPROF. Procura-se entender estes resultados fazendo-se referência a um quadro sócio-histórico, donde se põe em realce as características que marcam as formações sociais brasileira e portuguesa, pois, ao fim e ao cabo, existe uma espécie de condicionamento, oriundo das conjunturas em que os sindicatos actuam, que exerce influência na forma como os mesmos formatam as suas posições. As suas acções, portanto, são acções em função de conjunturas determinadas, o que significa dizer que os seus protestos, as suas demandas e as suas proposições só podem ser compreendidas por alusão ao contexto em que eles agem e interagem. Assim, a Comunicação adopta um estilo de análise que, por apanhar os fenómenos que foca em estruturas concretamente situadas, valoriza a construção de conceitos e procedimentos para tratar dos problemas que a prática social coloca como desafio.


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