As actividades informais constituem sem dúvida um tema de inegável interesse, embora controverso.
Nos países da África ao Sul do Sara, as actividades informais adquiriram um carácter estruturante, quer das economias quer das sociedades.
Em Luanda, como noutras capitais africanas, tem-se verificado um contínuo crescimento da economia informal.
As actividades económicas informais têm-se revelado cada vez mais importantes para assegurar o acesso à ocupação produtiva, aos rendimentos e à inserção socioeconómica dos seus agentes e dos respectivos agregados familiares para os quais constituem, com grau de importância crescente, uma das principais fontes de recursos financeiros, materiais e sociais.
Trata-se de uma realidade complexa, heterogénea e em acelerada transformação, na qual coexistem, em contextos híbridos, elementos da ordem sociocultural endógena com os valores, modelos e padrões comportamentais que emanam da ordem sociocultural global.
É neste enquadramento ambiental que evoluem e são condicionados os comportamentos e as práticas económicas dos diversos actores da economia informal.
Neste texto, que tem como suporte informação empírica recolhida em Luanda entre Setembro e Dezembro de 2003, são apresentadas quatro actividades diferentes e são caracterizados os seus intérpretes, com o objectivo de desmistificar algumas das ideias preconcebidas mais cristalizadas em torno do fenómeno informal e de suscitar algumas pistas para reflexão sobre uma realidade ainda tão insuficientemente conhecida.
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