Ayuda
Ir al contenido

Dialnet


Subjectivação e trabalho: reflexões sobre a economia solidária

  • Autores: Jaqueline Tittoni
  • Localización: A questão social no novo milénio, 2004, pág. 113
  • Idioma: portugués
  • Enlaces
  • Resumen
    • Este estudo reflete e problematiza os processos de subjetivação originados das experiências em Economia Solidária no Brasil, tomando como referência estudos realizados junto a grupos de mulheres na cidade de Porto Alegre, Rio Grande do Sul.

      A temática da Economia Solidária ou sócio-economia solidária inscreve-se na problematização do trabalho contemporâneo, pelo menos, através de dois tensionamentos: a tensão entre a perspectiva de geração de renda e a possibilidade de invenção de modos de trabalhar solidários e autogestionados e, do mesmo modo, a tensão entre a produção da autonomia e a necessidade da vinculação a políticas públicas que garantam algum nível de proteção do Estado aos empreendimentos marcados pela fragilidade na escalada concorrencial do mercado. Tais tensionamentos originam-se no campo do trabalho, ele mesmo marcado por importantes transformações: dentre elas, a idéia do trabalho como transformação da natureza alia-se às tensões entre a transformação e preservação e, do mesmo modo, a noção de reciclagem, como forma de lidar com a intensidade (ou mesmo voracidade) da sociedade de consumo; os efeitos da desregulamentação das relações de trabalho e a profunda sensação de desesamparo e insegurança trazidas pela perspectiva Néo-liberal, implicaram na separação entre trabalho e emprego.

      A Economia Solidária visibiliza-se, então, como um movimento de resistência de modo a buscar potencializar a solidariedade e a coletivização do trabalho, da produção e das informações.

      Nossa discussão central enfocou a problematização das formas de trabalhar vinculadas a autogestão e a Economia Solidária, de modo a visibilizar potências que indicassem sobre a invenção de outros modos de trabalhar e de viver, para além da perspectiva da geração de renda. O acompanhamento de dois grupos de mulheres, costureiras, moradoras da periferia de Porto Alegre-RS, inseridas em algum projeto de vida e de trabalho referenciado na Economia Solidária foi o eixo fundamental de nosso estudo-intervenção. Vinculadas a diferentes modalidades de políticas públicas, a existência destes grupos demonstra a possibilidade do poder público acolher novas estratégias de produção, apesar de reproduzir, muitas vezes, as lógicas assistenciais que historicamente definiram o papel do Estado junto às chamadas classes populares.

      Nossos fundamentos teóricos buscaram interrelações entre trabalho, ética e estética de modo a construir teoricamente a noção de trabalho e de produção no campo da estética, tomando como referência a noção de "estética da existência" formulada no pensamento foucaultiano.

      Para tanto, nossas intervenções metodológicas foram direcionadas para apreender o que chamamos de "sensibilidades anônimas", inspirados no que De Certeau (1996) chamou de práticas anônimas, no sentido de viabilizar uma discussão que abordasse o trabalho não só no seu caráter técnico, mas ético e estético. Tomamos dois recursos metodológicos centrais: o uso da fotografia e o acompanhamento sistemático dos grupos. Ambos os recursos associados à prática do diário de campo.

      O acompanhamento dos grupos situa-se em uma abordagem de escuta e acompanhamento mais fluído e capaz de se fazer movimentar em acordo com os movimentos do grupo.Nossas intervenções se fazem a partir da escuta e da problematização dos percursos que levam a produção da autogestão e da solidariedade. Nestes casos, são ressaltados os movimentos do grupo neste sentido, mas os demais não são negligenciados. Constituem-se em conteúdos importantes que nos informam sobre processos que, apesar de diversificados, muitas vezes produzem encontros com nossas questões na pesquisa e no acompanhamento dos grupos.

      A experiência dos grupos enfatizou os processos de invenção de modos de trabalhar coletivos, e de estratégias de movimento no emaranhado das políticas pública sobretudo no que diz respeito aos atravessamentos institucionais e as políticas assistenciais.


Fundación Dialnet

Dialnet Plus

  • Más información sobre Dialnet Plus

Opciones de compartir

Opciones de entorno