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Economia solidária e processos psicossociais: autogestão, autonomia e solidariedade em construção

  • Autores: Ricardo Augusto Alves de Carvalho, A.R.C. Trajano
  • Localización: A questão social no novo milénio, 2004, pág. 112
  • Idioma: portugués
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  • Resumen
    • A Comunicação que apresentaremos tomará como base "pesquisas - ações" (ou, "ações - pesquisas") desenvolvidas pelo Grupo de Pesquisa em Economia Solidária e Processos Psicossociais do Núcleo de Estudos Sobre o Trabalho Humano (NESTH) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), coordenado pelos autores, com a participação de alunos de graduação e pós, envolvendo organizações/agentes da sociedade civil e governo, formado desde o 1o semestre de 2000. O campo de pesquisa tem se ampliado ao longo da experiência, sendo inicialmente constituído por empreendimentos de autogestão do ramo metalúrgico, atualmente engloba grupos de trabalhadores em processo de construção de cooperativas/associações na área de alimentos e reciclagem, dando início à criação da Incubadora Tecnológica de Empreendimentos da Socioeconomia Solidária da UFMG. Buscando-se uma abordagem multidimensional, elege-se como foco a dimensão psicossocial dos processos em andamento, não deixando de estabelecer relações com as demais dimensões (econômico-jurídica, político-administrativa e outras), considerando sempre a interdependência e complementariedade entre elas. Neste sentido, a comunicação se articulará em 3 partes:

      1) Trabalho e Identidade: trabalho como categoria fundante do sujeito 2) SocioEconomia Solidária, Autogestão e Autonomia :

      2.1) Sócio - Economia Solidária e Autogestão em movimento 2.2) Autonomia e Autogestão - breves considerações 2.3) Estudos e pesquisas no campo em discussão 3) Compreensão praxiológica dos processos em andamento: o sentido vivido da experiência de construção de novas relações de trabalho - análise das categorias propriamente ditas 3.1) "Chão de Fábrica" X Administração:

      a problemática entre a produção e a gestão 3.2) Cooperativismo e Unia 3.3) Trabalho Cooperativo, Liberdade e Responsabilidade 3.4) Dinheiro e Lucro 3.5) Cooperativa e Mercado 4) Heteronomia - Autonomia - Liberdade Estas investigações enfocam, portanto, as relações entre Trabalho e Identidade, em Empreendimentos Solidários de Autogestão, onde o controle dos meios de produção e da gestão pelos trabalhadores é realizado na recriação coletiva do trabalho. Objetiva-se analisar como se configuram as relações entre a organização autogestionária do trabalho e processos de construção identitária de sujeitos trabalhadores. Em que medida os processos de construção identitária em empreendimentos de autogestão se diferenciam de processos identificatórios em empresas heterogestivas? Busca-se construir a autonomia, possibilitando a emergência de sujeitos humanos livres e criativos, criando uma nova cultura? Ou, ainda, apenas se está mudando o culto e não a cultura? Trata-se de pesquisas essencialmente qualitativas, orientando-se pelos pressupostos da Pesquisa -Ação e da Psicossociologia do Trabalho.

      Pode-se concluir que a experiência de construção do trabalho co-labor-ativo e da autonomia dos trabalhadores não se constitui em um processo linear, sem conflitos e contradições. Exige o rompimento com práticas heterônomas, ou, numa outra linguagem , práticas paternalistas e autoritárias, em que o outro decide por mim, em que normas e valores devem ser interiorizados, sem possibilidade de reflexão e crítica.

      Como temos constatado no decorrer de nossas investigações, há certa dificuldade de assunção da autonomia, o que não quer dizer que esse processo de autonomização não esteja em andamento. Podemos dizer que os trabalhadores dos empreendimentos em foco têm buscado construir a autonomia e a solidariedade, inserindo-se no movimento de socioeconomia solidária e autogestão, reafirmando assim a convicção de que uma outra globalização é possível e desejável, fundada na cultura da cooperação e na ética da solidariedade; na participação ativa de todas as cidadãs e cidadãos do país e do Planeta, no controle e na gestão dos meios para o seu desenvolvimento pessoal e coletivo. Uma globalização que seja cooperativa e solidária.


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