O presente artigo apresenta inicialmente uma análise acerca do processo de constituição da subcidadania no Brasil, desde o período da escravidão até os dias de hoje, e sobre a exclusão social de pretos e pardos. Em seguida, o texto retoma o pensamento do ex-ministro brasileiro José Bonifácio de Andrada e Silva, que em 1823 levou a público um arrojado projeto nacional, visando, entre outros aspectos, a inclusão sistemática de negros e índios na sociedade brasileira e a criação de mecanismos de suporte social para escravos e libertos. Andrada e Silva entendia que, para consolidar o Brasil como Estado-Nação, seria vital garantir sua coesão social, fomentando, assim, laços de confiança e de cooperação entre a população. Extremamente atual, o conjunto de idéias do político brasileiro já levava em conta o que hoje se conhece por desenvolvimento endógeno e capital social. Se na atualidade vê-se o esfacelamento dos Estados nacionais e a crescente omissão do poder público nas mais variadas questões, relegando países inteiros a interesses privados e abandonando os "excluídos do jogo" à própria sorte, Andrada e Silva apontava em outra direção: acreditava na instituição do papel regulador do Estado, o órgão responsável pela "mudança social provocada". Vê-se hoje a emergência dos excluídos enquanto discurso identitário. Porém, sem a reinvenção do Estado, de forma a atuar conjuntamente com a sociedade civil, como queria Andrada e Silva, a população de cor, relegada à subcidadania, tem poucas chances de deixar a zona de exclusão.
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