"Essa é a real. Essa é a real" .
Com esse refrão cantado sobre uma base de rap em seu comercial, a Coca Cola trabalha para sensibilizar o público para o consumo de seu produto de indubitável projeção mundial. Não obstante o Mac Donalds utiliza também o mesmo gênero musical para a apresentação de seu Fast Food, não menos conhecido do público.
Isso nos leva a observar que o rap, enquanto uma das formas de expressão da cultura hip hop , têm sido cada vez mais largamente utilizado pelos meios publicitários com vistas a conseguir maior visibilidade para diversos produtos junto ao imaginário das massas.
A cultura hip hop vivenciada por jovens das periferias das metrópoles do mundo notadamente tem adquirido especial importância em meio à cultura celebrativa. Como se origina tal fenômeno, bem como os alcances e limites desse mais recente movimento cultural de juventude, constitue-se na questão sobre a qual nos preocupamos em debruçar.
Para tanto pretendemos por meio da trajetória de dois rappers de maior reconhecimento internacional; um português- General D e um brasileiro- Thaide, que foram objeto de investigação para nossa tese de doutoramento defendida na PUC SÃO PAULO em 2002, traçar o desenvolvimento desse criativo fenômeno de mídia radical, que muito embora seja de origem discriminada; negra e pobre, tem logrado certo respeito para as periferias e servido de inspiração para renomados artistas plásticos e estilistas, como por exemplo, John Galiano da Maison Dior.
Conforme se sabe na diáspora escravista, espalhou-se o africano pelo mundo na condição de escravo e, com ele sua cultura e a música que a ela é inerente, que nunca deixou de existir e em fusões com culturas dos países para os quais foram levados vem transformando o panorama cultural do planeta.
Para a atualidade, a questão que se estabelece é: como surge nas periferias das metrópoles do mundo essa cultura de caráter contestatório que adentra aos centros urbanos, com essa força tal que, apesar de não passar pelos cânones acadêmicos têm, em meio às GPMs (globalizações por minuto), garantido resgate da auto-estima dos jovens discriminados, colaborado para a paz nas periferias preenchido lacunas deixadas pela educação formal e demonstrado condições de confronto com o poder estabelecido, inclusive agregando até jovens das camadas médias das sociedades ao mesmo passo que transforma sobremaneira seus partícipes.
A gênese dos hip hoppers, suas idiosincrasias, o crescente interesse por parte da industria cultural e a formação de um site mundial dessa cultura, com vistas à possibilidade de inclusão digital, (ainda estamos desenvolvendo), são a tônica central dos esforços aos quais ora nos propomos a realizar. Prevê-se apresentação de um curta metragem, feito em cinema sampleado , sobre a história e atualidade da cultura hip hop.
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