Este ensaio resulta das discussões e estudos que realizamos no projeto de pesquisa Educação e movimentos sociais: a cidadania em construção, da Linha de Pesquisa do Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE), do Centro de Educação da Universidade Federal da Paraíba que aglutina e integra as diversas temáticas dos pesquisadores professores e estudantes dessa da temática. Busca-se refletir sobre os movimentos sociais no contexto atual e a importância desses movimentos como instituintes de práticas educativas de novas sociabilidades, de busca e de afirmação da cidadania para os setores excluídos da sociedade capitalista no Brasil.
Desde as décadas de 1970 e 1980 os movimentos sociais se evidenciam como importantes atores na cena política brasileira, como conseqüência da organização, das mobilizações dos setores excluídos, das conquistas que lograram. A partir da década de 1990 esses movimentos, apesar de vivenciarem uma crise, em conseqüência da conjuntura instaurada pela nova ordem mundial cada vez mais mundializada, dos desdobramentos políticos, sociais, éticos, culturais, diante das relações de exploração e de poder, os sujeitos sociais que compõem os segmentos mais atingidos pelos efeitos nefastos desse capitalismo predatório engendram novas formas de resistência constituindo uma rede de movimentos sociais que vem desenvolvendo diversas ações coletivas de protestos, de organizações que oferecem alternativas e propostas para uma nova sociedade, formando um verdadeiro movimento que questiona esse capitalismo globalizado. Tal movimento se manifesta contra os constantes ataques do capital contra os direitos sociais, o avanço da miséria e das desigualdades que vêm crescendo desde os anos 1980, contra as repercussões desse modelo nos países ricos da Europa e Estados Unidos, mas que se manifesta de forma mais dramática na África e na América Latina, onde os problemas globais tomam dimensão catastrófica especialmente no que diz respeito às questões ambientais, de direitos humanos, democráticos e trabalhistas, da produção cultural, da violência, as drogas e a contravenção. Segundo Leite (2001, p.2), "generaliza-se a percepção de que qualquer combate ao sistema que pretenda eficácia tem que se articular internacionalmente".
As estratégias utilizadas pelos movimentos sociais combinam ações de resistência e de enfrentamento como protestos, passeatas, onde se aglutinam os diversos segmentos ou categorias de classe, que contam com o apoio e a solidariedade de amplos setores, até a vivência e a troca de variadas experiências concretas, pulverizadas, de alternativas ao modelo capitalista de produzir e de viver, que são realizadas nos mais variados locais. Destacam-se a criação do Fórum Social Mundial e o Fórum Mundial de Educação como momentos ímpares de encontro de pessoas dos mais diversos movimentos, que propiciam trocas e intercâmbios de experiências e conhecimentos dos diversos setores populares que formam uma ampla rede mundial.
Nesses movimentos e nas lutas por eles empreendidas são vivenciadas experiências e propostas de educação popular, destacando-se as experiências de escolas comunitárias, as milhares de experiências e programas de educação popular em ONGs, associações comunitárias, práticas de economia solidária, e as propostas e programas de Educação dos Movimentos sociais, especialmente do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).
Quanto à dimensão educativa dos movimentos sociais destacam-se as várias experiências sócio-educativas, a dimensão pedagógica do movimento,as práticas educativas, a educação popular, a educação não formal, expressões utilizados para falar das experiências vividas no cotidiano dos movimentos sociais e das aprendizagens que a participação nos movimentos propicia com suas múltiplas dimensões: políticas, culturais, subjetivas, simbólicas, afetivas, que trazem novas matrizes discursivas para a educação.
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