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A relação universidade e sociedade: a problematização nos projectos articulados de ensino, pesquisa e extensão

  • Autores: Silvio Sánchez Gamboa, Márcia Chaves
  • Localización: A questão social no novo milénio, 2004, pág. 1
  • Idioma: portugués
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  • Resumen
    • O debate sobre as funções básicas da universidade brasileira ganha um novo patamar com o Decreto No 2.306 de 1997, Art. 8o que alterou o paradigma de ensino superior antes centrado na universidade pública dedicada a o ensino, a pesquisa e a extensão. A nova legislação facilita as atividades de ensino dissociadas da pesquisa e a extensão abrindo espaço jurídico para que outras instituições, faculdades e centros universitários, na sua maioria privados, se tornem o modelo predominante com 75% da matrícula. Tal política pretende superar o pesado déficit acumulado do baixo índice de escolaridade superior, inferior aos países industrializados e ainda mais gritante no quadro dos países da América Latina, onde o Brasil ocupa o penúltimo lugar superando apenas a Nicarágua. Esse forma facilitada e empobrecida de formação profissional inclui outras medidas nefastas como o PRONEX (Programa de Apoio a Núcleos de Excelência), a GED e GID (Gratificações de estímulo ou Incentivo a docência), o PNG (Programa Nacional da Graduação e as Diretrizes para o Ensino) e a Lei de Inovação Tecnológica, estabelecidas para desmontar o princípio da indissociabilidade entre ensino pesquisa, ensino e extensão.

      Entretanto a pesar desse quadro nefasto tem outra universidade que reage contra a destruição insistindo no princípio da indissociabilidade entre ensino-pesquisa-extensão e na formação de intelectuais orgânicos. É a universidade que construi sua identidade gerando um conhecimento exaustivo da problemática da sociedade onde atua, recuperando e conservando saberes e conhecimentos sobre múltiplos as problemáticas significativas dessa sociedade. Essa outra universidade hoje se organiza em grupos de pesquisa dedicados a sistematizarem informações e gerarem massa crítica sobre a problemática da sociedade onde atuam. Os eixos aglutinadores dos grupos de pesquisa são os problemas comuns que localizam-se prioritariamente no seu próprio meio, na comunidade e na região e que exige a leitura interdisciplinar e ação competente dos movimentos sociais. Essa outra universidade que reage a Nova Ordem Mundial e à lógica de mercado defende também a extensão entendida como: processos educativos, culturais e científicos que articula o ensino e a pesquisa de forma indissociável e viabiliza a relação transformadora entre universidade e a sociedade. Essa relação que estabelece a troca de saberes sistematizado, acadêmico e popular, tem como conseqüência: a produção de um conhecimento sobre a realidade brasileira regional; a democratização do conhecimento acadêmico e a participação efetiva da comunidade na atuação da universidade.

      Nesse contexto esta comunicação apresenta a experiência da Linha de Estudos e Pesquisas em Educação Física & Esporte e Lazer (LEPEL) da Universidade Federal de Alagoas - UFAL que vem desenvolvendo um processo de construção coletiva que se originou nas aulas de Estudos do Lazer e Recreação Comunitária, utilizando a metodologia participativa com base na "problematização" da realidade encontrada nos espaços de atuação junto as comunidades intra e extra universitárias. Além das atividades desenvolvidas no ensino e na extensão, procurou-se a sistematização de novos conhecimentos, tomando como fonte, tanto os saberes dos participantes como as práticas pedagógicas e sociais que aconteceram durante essas atividades. A "problematização" e a elaboração de questões e perguntas atendendo a critérios de rigor científico permitiram a formulação e o desenvolvimento de dezessete diferentes projetos de pesquisa (trabalhos de conclusão de curso e de iniciação científica, dissertações de mestrado e teses de doutorado) integrando ensino, pesquisa e extensão cujos resultados vem sendo socializados em diversos eventos científicos em âmbito local, regional e nacional e amplamente aceitos e desenvolvidos pela comunidade local (Maceió) e Estadual (Alagoas) particularmente nos setores mais carentes e excluídos dessa região, considerada dentre as menos privilegiadas no desenvolvimento desigual do Brasil.


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