Agregando dados etnográficos e os da recente pesquisa domiciliar de Vitimização, discute-se porque que poucos moradores, mesmo vítimas de crime e de perdas de pessoas próximas assassinadas, querem mudar-se da vizinhança, do bairro ou da cidade. Isso varia por idade, naturalidade e local de moradia. O que prende os moradores à cidade, ao bairro e à vizinhança em proporções diferenciadas? Apesar dos altos índices de criminalidade violenta, os moradores têm percentuais menores que 20% de desconfiança ou desconhecimento de vizinhos. A boa convivência tem proporções maiores nas áreas em que vivem os pobres, sendo que a mais populosa corresponde aos subúrbios da cidade. Os pretos têm percentuais mais altos de boa convivência do que os pardos e brancos; os mais jovens e os mais velhos idem.
No caso dos mais jovens, isso se explicaria pelas atividades de lazer. Mas não explica porque tal convivência sociável é maior nos subúrbios que carecem de áreas de lazer. Como explicar este paradoxo? O tráfico de drogas violento afeta a vida social e cultural da região. Mas a guerra não altera tudo e, onde a vizinhança tem papel fundamental, relações comunitárias ficam fortalecidas.
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