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Uma releitura crítica do consenso em torno do «sistema vestefaliano»

  • Autores: Luís Moita
  • Localización: JANUS.NET, ISSN-e 1647-7251, Vol. 3, Nº. 2, 2012, págs. 17-42
  • Idioma: portugués
  • Títulos paralelos:
    • A critical review on the consensus around the "westphalian system"
  • Enlaces
  • Resumen
    • português

      A Guerra dos 30 anos que devastou a Europa entre 1618 e 1648 foi um conflito complexo onde se misturaram dimensões religiosas, interesses das potências da época, rivalidades dinásticas e rebeliões dos príncipes contra o Imperador do Sacro Império Romano-Germânico. A Paz de Vestefália, que lhe pôs termo, é consensualmente entendida como um marco decisivo na história das relações internacionais e a generalidade dos autores situa aí a origem do moderno sistema de Estados-Nações, dotados de soberania, com jurisdição sobre um território, tendencialmente laicos e relacionados segundo o princípio do equilíbrio do poder. Uma releitura crítica deste consenso leva a questionar cada um dos tópicos referidos, podendo concluir-se que a interpretação corrente procedeu a uma transposição retrospectiva de processos políticos que só mais tarde se verificaram. Com efeito, é provável que no século XVII prevaleça ainda o Estado pré-moderno e principesco, que daria depois lugar ao moderno sistema de Estados-Nações, fruto da emergência da sociedade industrial e do nacionalismo. Pode mesmo considerar-se que a Paz de Vestefália retardou a constituição de Estados nacionais, pelo menos no que toca ao vasto espaço germânico. De tal maneira que parece aconselhável abandonar as expressões “Estado vestefaliano” e “sistema vestefaliano”.

    • English

      The Thirty Years� War, which devastated Europe between 1618 and 1648, was a complex conflict: it was a religious war; it involved the main powers of the time, dynasty rivalries and rebellions from princes against the Emperor of the Holy Roman-German Empire. There is a consensus in viewing the Peace of Westphalia, which ended the war, as a decisive moment in the history of international relations and the majority of authors considers it the starting point of the modern State-Nation system, sovereign states which have jurisdiction over a territory, which were usually secular and related to one another according to the principle of the balance of power. A critical review of this consensus leads to question each of the above mentioned topics and conclude that the common interpretation has retrospectively transposed political processes which took place only later. In fact, it is likely that, in the 17th century, the pre-modern princely State is still dominant, which will then lead to the modern State-Nation system, a consequence of the emergence of industrial society and nationalism. One may even consider that the Peace of Westphalia delayed the constitution of national States, as far as Germany is concerned. Therefore, to use the terms �Westphalian state� and �Westphalian system� seems rather unadvisable.


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