Fumar tem consequências negativas imediatas na saúde dos jovens. No entanto, o maior risco que estes correm quando começam a fumar é o de ficarem dependentes, muitas vezes para a vida inteira, e virem a sofrer mais tarde das inúmeras patologias relacionadas com o consumo de tabaco, como o cancro do pulmão, traqueia e brônquios, a Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC) e o enfarte do miocárdio (entre muitas outras patologias). Não obstante a gravidade deste comportamento, os resultados do Health Behaviour in School-aged Children (HBSC) revelam que em Portugal, em 2006, fumavam regularmente (pelo menos um cigarro por semana) 9% dos rapazes e 12% das raparigas de 15 anos. A evolução do consumo de tabaco registada no período de 1997 a 2006 mostra que a prevalência de rapazes e raparigas fumadores/as diários/as, com 15 anos de idade, desceu de 10%, em 1996/7, para 8%, nas raparigas, em 2004/6, e de 13% para 5%, nos rapazes, no mesmo período. Apesar do ligeiro decréscimo na prevalência de fumadores/as, é preciso continuar a fazer prevenção do consumo em alunos escolarizados dos ensinos básico e secundário, com o objectivo de reduzir o consumo de tabaco ou, pelo menos, evitar que este aumente. Para se proceder à adopção, adaptação ou construção de programas ou estratégias preventivas do consumo de tabaco (ou de qualquer outro problema de saúde), é necessário perceber quando, onde e porque é que se começa a fumar. Com base nesse conhecimento, ficaremos em melhores condições de tentar definir, quando, onde, quem e com que meios se pode fazer prevenção do tabagismo. Sabe-se que fumar regularmente não é uma simples resposta a um estímulo, mas uma conduta complexa que se vai instalando progressivamente ao longo de um trajecto que passa por várias etapas e que é habitualmente designado por “carreira do fumador”. Os modelos explicativos do consumo de tabaco referem vários factores de risco relacionados com a transição de um estágio da carreira para outro, mas não fazem referência a diferenças entre os sexos. Por este conjunto de motivos desenvolvemos o projecto “Determinantes do consumo de tabaco em função do género: implicações para a criação de uma geração de não fumadores”, com a finalidade de aprofundar o conhecimento dos determinantes do consumo de tabaco em função do sexo e, a partir desse conhecimento, desenvolver acções preventivas mais eficazes.
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