O debate educativo, quer em Portugal, quer no Brasil, na segunda metade do século XIX, construiu-se com um leque alargado de temas que tinham o objectivo de desenvolver a instrução e a educação nos respectivos países, mas dois segmentos desse debate interessam-nos particularmente: i) a necessidade de dotar cada um dos países de professores primários verdadeiramente qualificados, criando para o efeito estabelecimentos que assegurassem uma formação especializada, de natureza pedagógica e prática e relativamente longa; ii) a atenção dada a instituições de protecção a crianças e jovens em risco (asilos, orfanatos, casas de recolhimento), no contexto das políticas de protecção social da época, que se fundavam nas ideias de regeneração social e no papel que a educação desempenhava para o progresso e desenvolvimento do país. Na intersecção destes dois segmentos construímos o objecto deste trabalho, ao analisar a origem social das normalistas e o destino profissional das meninas oriundas de asilos, em ambos os países. Metodologicamente, privilegiaram-se fontes educativas primárias, localizadas no Arquivo Nacional Torre do Tombo, para o caso português, e no Arquivo Histórico do Liceu de Humanidades de Campos, para o caso brasileiro.
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