Desde o surgimento de suas primeiras emissoras, o rádio vem demonstrando, dentre as suas inúmeras potencialidades, a possibilidade de incorporar a herança narratológica que acompanha o homem desde o início da civilização às especificidades técnicas da linguagem sonora e do meio radiofônico. As formas ficcionais transmitidas pelas ondas do rádio constituem, assim, um elo não só possível, como desejável entre um dos mais tradicionais elementos de nossa cultura com uma das mais democráticas conquistas tecnológicas da contemporaneidade, dado o alto índice de penetração que o meio encontra em suas comunidades. O rádio é, dessa forma, um meio de comunicação passível de abrigar as mais diversas modalidades narrativas presentes em uma comunidade, do folclore ao romance, resgatando, estimulando e valorizando a pesquisa, a produção e o intercâmbio de elementos da comunicação, da identidade e das culturas locais em seus aspectos mais específicos. Destarte, a ficção no rádio - e, atualmente, também em outras tecnologias como CDs, podcasts, Internet etc - pode, conforme a concepção de Brecht, servir de instrumento para a construção ou o resgate de uma identidade local e também para a mobilização e a criação de uma sociedade mais democrática, por meio de obras que trabalhem com as potencialidades e as características intrínsecas do meio e que democratizem a informação, o conhecimento e o entretenimento de qualidade.
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