É consensual afirmar que o design é um processo através do qual se configura para comunicar. Enquanto actividade projectual de carácter comunicativo, o exercício do design não pode ser dissociado da linguagem, incluindo-se esta última na categoria das actividades realizadas pelo homem de características, simultaneamente, comunicativas, manifestativas e cognitivas, que se realiza através de sinais. A prática do design e a linguagem são, portanto, indissociáveis. Na configuração de mensagens visuais o exercício do design de comunicação visual é sustentado por duas formas de linguagem: linguagem verbal e linguagem não verbal. Na categoria de linguagem verbal, ou comunicação linguística, referimos o texto/tipografia - representação fonética da realidade -, na categoria de linguagem não verbal, ou comunicação icónica, apontamos a imagem - representação visual da realidade. Assim, a comunicação visual, expressa tradicionalmente em suportes como o papel, assentou desde sempre na dinâmica que se estabelece entre a linguagem visual e a linguagem verbal. Os novos meios digitais, como a internet, destacam-se pelas suas características inovadoras, nomeadamente a interactividade, e a integração de movimento, de sonoplastia, de texto e de imagens. Importa perguntar, a que nos referimos quando falamos de comunicação multimédia? Falamos da integração da linguagem verbal e não verbal no mesmo suporte, ou referimo-nos a uma nova linguagem que proporciona o aparecimento de uma nova forma de expressão? Com base nas questões apresentadas, este artigo analisa o modo como as características do novo meio proporcionam o aparecimento de uma linguagem de comunicação visual multimédia capaz de uma nova expressão para a visualidade contemporânea.
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