Desde Metrópolis (1926), pelo menos, o cinema tem reproduzido o singular confronto do homem consigo mesmo que surge via técnica maquinística no transcurso dos tempos modernos. Objetivo da presente comunicação científica é examinar essa problemática, através do comentário analítico e interpretativo de algumas películas em que se encontra sua recepção: 2001: Odisséia no Espaço (1968), Omega man (1971), Blade Runner (1982), Cidade das Sombras (1998) e Inteligência Artificial (2001). Contrapõem-se, em especial, o primeiro e o último filme. No estudo de 2001, tenta-se mostrar que, nele, a relação entre homem e máquina é analisada em termos do humanismo clássico, mas só para dar ao público a gratificação que ele precisa para se envolver com a história. No final, eventualmente ele é levado a meditar se essa não é uma supremacia vã, se considerarmos os mistérios insuperáveis existentes em nossa condição e os desafios intransponíveis por eles colocados à ciência e à tecnologia. Em Inteligência Artificial trata-se de demonstrar que a conexão dialética entre homem e máquina também pode ser pensada utopicamente em termos de conciliação. Steven Spielberg elabora uma fantasia melodramática em que, num futuro distante, seres inteligíveis, nem humanos, nem máquinas, patrocinam o apaziguamento de suas contradições e antagonismos. Blade Runner sugere que nossas criaturas artificiais tendem ou podem se tornar mais humanas do que nós mesmos. As características que nos definem transplantam-se para nossos andróides num estágio avançado de civilização. Em Cidade das Sombras, procura-se mostrar que, nele, a humanidade apenas está em questão como função da tecnociência. o papel de sujeito pertence apenas a seres alienígenas. O poderio que eventualmente nos redime não provém de nós, nem nos devolve a originalidade antropológica. Omega man dispara um sinal de alarme sobre os perigos extremos que corrermos na civilização maquinística. O filme retrata um mundo em que nossa espécie acaba extinta. Conclui-se que filmes como esses contribuem para projetar de forma sensível, original e cotidiana os caminhos problemáticos pelo qual avança nossa civilização maquinística.
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