Van Gogh retrata recortes do ato de plantar, ceifar, colher e enfeixar o trigo. O que propomos neste artigo é uma atualização de sua obra através da fotografia dos cortadores da cana-de-açúcar e, unindo as duas leituras, construir uma narrativa visual da música Cio da Terra, de Milton Nascimento e Chico Buarque. Buscar nas telas e nas fotografias a visibilidade do poema e, no poema, a legibilidade dos retratos. E como "leitores navegadores" navegar ora pelas águas da imagem, ora pelas águas do texto. Construindo e desconstruindo texto e imagem. O poeta transforma a folha em branco em poesia, o pintor dá vida à tela, o músico transforma as palavras em melodia e o fotógrafo recorta cenas do cotidiano e imprime no papel fotográfico, além da imagem, emoções e histórias que o tempo jamais poderá apagar. Numa comparação com a pintura, o fotógrafo corta e o pintor compõe; na tela, a imagem vem lentamente e se constrói a cada toque do pincel, enquanto na fotografia, tudo está definido, reduzindo o fio do tempo a um único instante, selecionado pelo olhar-leitor do fotógrafo. Pintura, música e fotografia, três linguagens que dialogam entre si, num sincronismo de sons, formas, cores e sentimentos, construindo um gênero midiático.
© 2001-2026 Fundación Dialnet · Todos los derechos reservados