A digitalização representa um novo paradigma técnico, que reestrutura a economia da comunicação e da cultura, ao permitir um movimento complexo de convergência, que desestabiliza mercados consolidados, contestando posições hegemônicas, não necessariamente no sentido de uma maior democratização dos meios, mas, em geral, no contrário, ao promover uma tendência de aumento da concentração multimídia. Em todo caso, a concorrência se amplia e torna-se virulenta nesta fase de transição da economia dos meios, em que a internet adquire papel central, a ponto de muitos falarem em uma "nova economia". Na teia da rede mundial de computadores, os jornais concorrem com o radio, este com a televisão e todos com as companhias telefônicas, de modo que o conjunto da economia dos meios está posta em questão, até que uma nova estrutura hegemônica se estabeleça. O que determina as formas específicas em que essa concorrência generalizada se dá não é a convergência tecnológica em abstrato, mas o surgimento de padrões de produção específicos para a internet nas áreas de música, vídeo, serviços on line etc., inclusive o jornalismo. Este último, entendido como produto transversal, adequado ao rádio, à imprensa, à TV ou à internet, assumindo, em cada caso, feições particulares que, não obstante, não mudam a sua definição geral, será estudado, neste artigo, articulando a bibliografia corrente dos estudos de jornalismo com aquela, teoricamente mais densa, da economia política da comunicação, da informação e da cultura.
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